Wednesday, May 11, 2016

Hambúrguer de lentilhas vermelhas/ Red lentils burger

Era noite do hambúrguer aqui em casa (também conhecida como "noite em que não quero cozinhar muito"), mas eu resolvi experimentar uma opção vegetariana. Tinha sobras de lentilhas vermelhas (cozidas com alho, caldo de legumes, louro e coentros) que eram praticamente um purê. Misturei a um refogado de cebolas picadinhas, quinoa cozida, pão ralado (sem glúten), farofinha de castanhas do Pará [Maranhão], cenoura ralada, pimenta malagueta e cominhos. Formei os hambúrgueres, deixei na geladeira por meia-hora, fritei em uma noz de óleo de coco. Como "maionese", fiz iogurte grego (orgânico/biológico) com limão e salsa. Perfeitos.

English version

It was burger night at home (a.k.a. 'the night when I don't want to do a lot of cooking') but I decided to try a vegetarian option. I had some red lentils (cooked in vegetable stock with garlic, bay leaves and coriander) leftovers that were almost like a puree. Added a pan-fried mix of finely chopped onions and red chilli, crumbled Brazil nuts,  cooked quinoa, grated carrot, gluten-free breadcrumbs and cumin. I made the patties, left them in the fridge for half-an-hour, fried them on a bit of coconut oil. As 'mayo' I made a mix of organic Greek Yogurt, lemon and parsley. Perfect.

Casa Branca

Celebramos o retorno da Primavera cedo demais, os dias retrocederam ao Outono, mas isso deve mudar. O frio e a chuva reabrem o apetite e a vontade de petiscar a toda hora, mas tenho resistido, ou optado por snacks mais saudáveis. O meu apetite pensa que é Inverno, o meu gosto, Verão.
Mas, num dia de sol e calor, fui conhecer um novo espaço na Rua da Alegria, o Casa Branca, que tinha visto mencionado no excelente Viver o Porto. Queria sentar ao ar livre, fazer um pouco de fotossíntese, embora ande cada vez menos amiga do calorão - sol, sim, quase sempre.
O menu é sucinto, mas a proposta do café/casa de chá/galeria de arte é honesta - refeições leves (incluindo almoço vegano às sextas), opções saudáveis, tisanas, produtos biológicos. A entrada foi uma sopa com bastante espinafres, não apenas fiapos boiando em um creme de vegetais. Generosa. A seguir, escolhemos uma salada que era quase um arco-íris - ainda tenho flashbacks do sabor dos morangos. Simples, mas com ingredientes de alta qualidade. Atendimento simpático, ambiente indiscutivelmente zen e tranquilo, que inclui eventos culturais e artísticos. O sol para alguns pede agito, eu gosto de desacelerar (talvez seja meu DNA, em parte, baiano), o Casa Branca é perfeito para uma experiência de slow food.

English version
We had celebrated the return of Spring a bit too early, the days have gone back to Autumn, what shall change. The cold and the rain reopen the appetite and the constant craving for snacks but I have resisted or, otherwise, opted for healthier options. My appetite thinks Winter, my cravings, Summer.
But, in a hot and sunny day, I went to check a new space at Rua da Alegria, Casa Branca, which I had seen mentioned on the excellent blog Viver o Porto. I wanted to sit outdoors, to do a bit of photosynthesis, although I have been increasingly less friends with scorching heat - but I always like the sun, almost unconditionally. 
The menu is succinct but the café/teahouse/art gallery's concept is honest; light meals (including a vegan lunch on Fridays), healthy choices, tisanas, organic produce. Starter was a hearty spinach soup, not only some leaves floating on a vegetable concoction. Generous. Then we chose a salad that was almost like a rainbow; I still have flashbacks of the strawberries' flavour. Simple but with high quality ingredients. Friendly service, an undoubtedly zen and tranquil ambience which includes cultural and arty events. For some the sun calls for a busy schedule but I rather slow down (maybe due to my part Northeastern Brazilian DNA) and Casa Branca  is the perfect spot for a slow food experience.







Tuesday, May 3, 2016

Uma espécie de Salada Waldorf/ A kind of Waldorf Salad



A primavera tardou, mas chegou. E, com ela, a vontade das saladas, dos jantares leves, principalmente depois de um lauto almoço.

A Salada Waldorf é um clássico, e em clássicos a gente não deve mexer muito. Não vou dar receita, há várias na net, incluindo a que linquei aqui, as quantidades ficam ao seu critério, mas fiz uma substituição que funcionou bem - em vez de iogurte, um molhinho de azeite, tahini, limão e flor de sal. Basicamente usei:

Salada verde
Frutos secos (a original leva apenas nozes, mas tinha uma mistura que queria usar)
Maçã descascada e fatiada
O molho descrito acima

Funciona como uma refeição leve ou acompanhamento para carnes de aves ou porco grelhados. E é, o melhor de tudo, saudável (se você não incluir a maionese da versão tradicional, claro).

English version

Spring has arrived late, but it is here. And it has brought the craving for salads and light dinners, mainly if you had a big lunch.

The Waldorf Salad is a classic, therefore it should not be messed with too much. I won't give you a recipe, there are plenty of them on the Internet (including this one) - quantities are up to you, but I have made a substitution that has worked quite well - instead of yogurt, a olive oil, tahini, lemon and fleur du sel dressing. I basically used:

Green salad
Nuts (original takes only walnuts, but I had other nuts in the pantry that I wanted to use)
Apple, peeled and sliced
The dressing described above

It works as a light dinner or as a side to grilled poultry or pork. And it is, better still, healthy (this if you do not include the mayo in the original recipe, of course).

Friday, April 8, 2016

Hambúrgueres pela cidade/ Burgers in Town




Fui passear na minha antiga vizinhança no Porto e comer um hambúrguer no EOS, que queria muito conhecer. Não estava com fome para um almoço grande (5€ pelo menu vegetariano/vegano, que inclui sopa, prato principal e bebida), portanto escolhi o hambúrguer de grão, que estava fantástico. O meu único "porém" é que acho que podiam ter caprichado um pouco mais na escolha do pão.

De sobremesa, uma natinha vegana, que me surpreendeu, muito boa, nem se notava que não levava ovos ou laticínios. Quero voltar para provar o almoço completo, espero, logo.


Já em fevereiro, em busca de um hambúrguer vegetariano, fui parar no BUGO Art Burgers, na Miguel Bombarda. Estava atrás de um elusivo hambúrguer de cogumelos, que acabei decidindo não pedir. Eu tinha imaginado o recheio com cogumelos picados e outros ingredientes (copiando um hambúrguer de carne), mas no final era um sanduíche de Portobello. Escolhi o de atum, com molho teriyaki e maionese de wasabi. Um dos melhores sanduíches que já comi na vida. 

Ir ao BUGO não é barato em termos de fast food, embora agora o lugar ofereça um menu combinado de 10 euros (a carta diz 11, mas são 10), que inclui couvert, hambúrguer – no pão ou no prato -, bebida e café. O menu incluía apenas duas opções no momento – o hambúrguer de carne Angus e o de atum oriental -, mas a carta tem hambúrgueres de vários tipos (todos por cerca de 8, 9 euros, acompanhados de, conforme a sua escolha, arroz, batatas e salada), incluindo refeições vegetarianas e um menu infantil. Não é caro nem barato, mas que vale a pena pela qualidade.

English version

I went for a stroll in my old neighbourhood in Porto and to have a burger at EOS, a vegetarian restaurant I was planning to visit. I wasn't hungry enough for their lunch menu (5€ for a vegetarian/vegan menu which includes soup, main and a drink), so picked the chickpea burger, which was fantastic. However, I think they could have gone for a better choice of bun.

For dessert, a vegan custard pie which quite surprised me, very good, one could barely notice that it didn't take eggs or dairy. I want to go back for the full lunch, I hope, soon.

In February, in search of a vegetarian burger, I ended up at BUGO Art Burgers, on Miguel Bombarda Street, I was after an elusive mushroom burger, that I decided not to order. I had imagined the patty to be made of chopped mushrooms and other ingredients (emulating a meat burger) but at the end it was a Portobello mushroom sandwich. I went for the tuna burger, with teriyaki sauce and wasabi mayo. One of the best sandwiches I have ever eaten.


BUGO isn't a cheap fast food eatery, however it offers a set menu at 10 euros (the menu says 11 but it is 10), which includes couvert, a burger (with or without a bun; in the latter, on the plate with rice), a drink and coffee. At that time the set menu included only two choices; the Angus burger and the oriental tuna patty. But the menu has burgers of all kinds (all for about 8, 9 euros, with sides according to your choice - rice, chips and salad), including vegetarian and a kids menu. Neither cheap nor expensive for a sandwich, but worth your money.


EOS
Rua de Santa Catarina, 1198
Porto
Tel. 220 986701

BUGO Art Burguers
Rua Miguel de Bombarda, 598
4050-379 Porto
226 062 179

Wednesday, November 12, 2014

De fubá, coco e laranja

Eu ando meio obcecada com a queijada de laranja de um supermercado famoso. Provei e virei fã, mas tenho conseguido me controlar - apesar de pensar nela o tempo todo. Foi por isso que resolvi fazer um bolinho no mesmo estilo - dura mais, é "mais saudável", congelo metade e tira um pouco dessa fissura por doces que chegou com o frio.
Seguindo a linha "bolos não muito doces", ficou ótimo (quando não fica, não falo deles aqui), com uma textura macia, doçura equilibrada. Ia colocar goma xantana, esqueci, mas não fez falta alguma. Não ficou é com gosto de laranja, portanto vou experimentar excluir a bebida de coco e usar uma xícara inteira de suco [sumo] na próxima vez. Fica para a próxima, também, a receita de um bolo de alfarroba que foi devorado em menos de 24 horas, impossibilitando, portanto, a ilustração do post respectivo.
Bolo de fubá e coco
1 xícara de fubá fino (farinha de milho)
1/2 xícara de farinha branca sem glúten (usei uma mistura, mas acho que a de arroz deve funcionar bem; pode usar a de trigo, só não sei se é preciso ajustar a quantidade)
1/2 xícara de coco desidratado ralado
1/2 xícara de açúcar de coco, 1/2 do amarelo ou mascavado (pode usar 1 do amarelo/mascavado, q.b.)
1/2 xícara de bebida ou leite de coco
1/2 xícara de suco de laranja natural
1 colher de sopa bem cheia de gordura de coco amolecida
4 ovos pequenos (ou 3 grandes)
1 colher de sopa de fermento
Bater as claras em neve [castelo] e reservar. Noutra tigela [taça], bater as gemas com o açúcar e a gordura de coco. Acrescentar o leite de coco/suco de laranja (se quiser eliminar a laranja, dobre a quantidade do leite e vice-versa) e misturar bem. Acrescentar o coco, as farinhas, sempre misturando. Por último, o fermento e as claras batidas, incorporando-as gentilmente. Leve ao forno pré-aquecido (médio ou 180ºC) por cerca de 30-35 minutos.


Reparem no individual, um verdadeiro artigo vintage com uma ilustração do Hampton Court Palace, era o xodó de A. na infância.




O bolo foi aprovado por V., que o chama de "bol" e "queque" (querendo dizer "cake"). Fiz uma caldinha de suco de laranja e açúcar para jogar por cima, fiquei frustrada porque o sabor não era bem o que que eu queria!

Tuesday, October 7, 2014

Meu aniversário [Frida]

Para não passar em branco, fomos comemorar com um almoço dominical no Frida, um restaurante que eu estava doida para conhecer desde antes de chegarmos aqui.
Gosto muito da culinária mexicana, acho que, como a italiana e a indiana, tem uma proposta que se adequa bem tanto a carnívoros como a vegetarianos e/ou "onívoros seletivos" (o meu caso, que também pode ser definido, fiquei sabendo outro dia como "flexitarian"), além de oferecer uma justaposição muito interessante de texturas e sabores. O destaque para mim: o uso do coentro sem pudor, a minha erva aromática favorita.
O ambiente é menor do que eu imaginava, mas aconchegante sem parecer apinhado. Há uma certa atmosfera de sala de estar "daquele amigo interessante, de bom gosto e que gosta de viajar para a América Central". O empregado de mesa foi prestativo, discreto, assim como um dos donos - sempre sorridente e gentil. Sei que tudo soa um enorme cliché, mas há muitos restaurantes contemporâneos que, em nome do cool, deixam um bocadinho a desejar no quesito simpatia. E nós levamos a V. , que foi muito bem recebida, não senti que estávamos no restaurante errado, como nos aconteceu outro dia - não vejo sentido em permitir a entrada de bebés se não há cadeirões à disposição.


Mas, claro, embora os press releases de alguns restaurantes adorem passar uns dois parágrafos longos a descrever a atmosfera, os lustres, o tecido das cortinas, a madeira da mobília, etc, etc, o que importa é a comida, e nisso o Frida não decepciona. Eu acabei por escolher duas opções de carne vermelha, o que é raro hoje em dia, e fui de taquitos de camarão e pato defumado na entrada e magret do mesmo bicho (claro!) para o prato principal. Geralmente, peço peixe ou vegetariano, mas foi do que senti vontade no dia, a promessa de um molho rico à base de chocolate com especiarias e uma redução de amoras acabou vencendo.





A. pediu uma entrada diferente, carnitas (tacos de porco), mas o mesmo principal. Vale ressaltar que o prato principal veio acompanhado de arroz e tortillas caseiras quentinhas, uma delícia (parei de tirar fotos nessa altura).



A gula foi maior do que o bom senso, o magret estava perfeito, mas é um prato pesado já que tinha optado também por uma entrada, o que não deixou lugar para a sobremesa, portanto pedimos umas bolachas de massa frita com açúcar e canela acompanhadas de um molho de caramelo para compartilhar. O meu tipo de doce.
Quero muito voltar e provar outros pratos, não é um restaurante barato, mas também não é caro, como sempre, se pensar num equivalente em Londres, a conta teria sido uns 40% mais cara. Recomendo muito, dizem que as margaritas são ótimas, mas ficamos só num shot [generoso] de tequila para encerrar a refeição. Não sou grande fã de bebidas brancas, mas gosto muito de tequila, por ter um sabor "limpo" e um efeito suave (claro, se bebida moderamente :)))).
Uma sobremesa tardia ficou para a casa de chá de Serralves que, vou confessar, foi meio decepcionante. A torta de limão tinha um aspecto ótimo, mas não estava muito fresca, e ficou nisso, numa torta de limão não muito fresca.


Era a Festa de Outono, o parque estava lotado de famílias, mas acho que não é um local que funciona muito bem para nós no momento, pelo menos não num dia tão movimentado. A V. não para quieta e não obedece a avisos de "não corra, cuidado, é perigoso, etc, etc", precisa ser colocada no carrinho em certos momentos dos nossos passeios, e o terreno do parque é traiçoeiro em vários trechos. Não recomendo se embrenhar muito com uma criança pequena e irriquieta e num carrinho, principalmente se você estiver sozinha(o), é preciso ajuda para levantá-lo e transportá-lo em determinadas partes. Se você se contenta em ficar só pelo museu e a primeira seção do parque, porém, é tranquilo.







Friday, June 6, 2014

[No] food styling

Há muitos blogues que leio cuja fotografia é excelente. Algumas blogueiras, inclusive, passaram a trabalhar como food stylists, o que é muito interessante - trabalhar com fotografia e comida ao mesmo tempo deve ser muito legal. Há fotos que são verdadeiras naturezas-mortas, com enquadramentos, iluminação belíssimos. Comida tem a sua beleza, e não é muito difícil, em certos casos, capturar o valor estético de um ou mais ingredientes.
E há também os adereços - a louça, a mesa, os talheres, o ambiente.
Mas, não sei. Eu às vezes acho tudo um pouco artificial, essa mania que agora temos de mostrar uma casualidade encenada. É como a fast food que vem servida em tábuas com molhos espalhados - um conceito lúdico que visa demonstrar falta de pretensão, mas que acaba por ser pretensioso e até pouco higiênico. O Jamie Oliver prepara e serve alguns dos seus pratos nessas tais tábuas e - surprise, surprise! - elas estão à venda na rede Jamie's Italian, que eu adoro.
Ou as batatas fritas que vêm em baldinhos de metal. Eu não sei o que realmente acrescenta ao prato. Talvez haja alguma ciência por trás disso - as batatas se mantêm mais estaladiças, ou o apelo visual estimule o apetite. A questão é que, para mim, tanto faz (principalmente porque é raro eu pedir batatas).
Eu gosto mesmo é de identificar o que estou comendo, holisticamente. Não vejo muito a necessidade de desconstruir, a não ser no passo-a-passo de uma receita. O problema é que, nesta era tão visual, o estético parece prevalecer, e às vezes as coisas vão um pouquinho longe demais. Nada contra um prato de comida bem apresentado, fotografado num cenário bonito. Mas se fazemos em casa, por que não mostrar a verdade? Por que esconder? Por que criar um cenário e adicionar adereços? Porque não contextualizar de uma forma mais real?
Rabugice minha, eu sei. Um dia desses me rendo ao food styling, começo a espirrar ketchup nas paredes e tudo isso fica contraditório.
Estava pensando nisso porque hoje almocei isto e queria compartilhar porque é simples, delicioso e muito nutritivo: quinoa com grão, salteada no azeite com anchovas picadas e limão, coentro e gergelim/sésamo por cima, brócolis para acompanhar. Não sei o porquê, mas o tom ficou meio azulado e eu, com preguiça de tentar corrigir. Ou seja, o food styling é inexistente, mas é essa a realidade, incluindo a V. que queria assaltar o meu prato (pelos simples prazer da brincadeira, nada a ver com fome) e as sacolas de compras que aterrissaram há alguns dias na cadeira ao lado dela.